o inverno domina — CartaCapital

By | 31st July 2017

No domingo 16, à noite, recomeçou o maior drama televisivo, Game of Thrones. Com apenas 13 episódios restantes da fantasia épica, 7 a ser transmitidos neste verão no Hemisfério Norte e 6 no próximo ano, os níveis de entusiasmo estão altos, enquanto críticos e fãs se esforçam para prever quem sobreviverá, quem morrerá de maneira terrível e quem acabará no Trono de Ferro.

Esse entusiasmo se reflete nos números da audiência. Cada episódio de Game of Thrones é assistido, em média, por 25 milhões de espectadores, e esse é apenas o número fornecido pela emissora norte-americana HBO.

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Enquanto espectadores em todo o mundo sintonizam diferentes canais, muitos outros milhões assistirão de forma ilegal – o programa bateu o recorde de o mais pirateado na televisão nos últimos cinco anos.

Não admira que um artigo recente no site de cultura The Ringer o tenha rotulado de a única série de televisão blockbuster: “Como um fenômeno e ao mesmo tempo uma máquina cuidadosamente administrada, Thrones tem mais em comum com Guerra nas Estrelas do que Veep”.

É verdade que, assim como a franquia de Star Wars, Game of Thrones é um gigante cultural citado em toda a cultura pop, celebrado em convenções de fãs e a inspirar de tudo, de bares móveis a uma experiência de show ao vivo.

Seu maior impacto, contudo, pode ser visto em seu próprio meio: a série projeta uma sombra sobre a paisagem televisiva ao menos tão grande quanto a de um de seus dragões cuspidores de fogo. 

De simples épicos históricos como The Last Kingdom a obras de fantasia mais experimentais como American Gods, a influência de Game of Thrones pode ser vista em tudo na televisão. Está na violência sanguinolenta da adaptação dos quadrinhos Preacher e nos tristes gemidos da fugaz história medieval The Bastard Executioner. Está no interesse pelas lutas de poder maquiavélicas do drama pirata Black Sails e nos cenários sombrios e úmidos de Taboo.

É provável também que não desapareça tão cedo: no ano que vem, veremos a chegada do épico da BBC Troy: Fall of a City, que reconta a guerra de Troia, e a versão da Sky Atlantic das lutas entre celtas e romanos, Britannia, escrita pelo atual queridinho do West End, Jez Butterworth.

O canal de streaming americano Hulu, revigorado com o sucesso de The Handmaid’s Tale, pretende trazer para a tevê a série best seller Throne of Glass, de Sarah J. Maas.

A Netflix adapta a popular saga Witcher”, do autor polonês de fantasia Andrzej Sapkowski, e a HBO acaba de anunciar planos de fazer a poderosa e complexa fantasia Who Fears Death, de Nnedi Okorafor, com George R. R. Martin, o autor de Game of Thrones, como produtor-executivo.

O canal também encomendou Lovecraft Country, série antológica de terror do diretor de Get Out, Jordan Peele, e J.J. Abrams, e quatro variações de Game of Thrones, que continuam envoltas em sigilo, mas serão ambientadas no mesmo mundo fantástico.

“Vão roubar e pegar emprestado pedaços de Game of Thrones durante muitos anos”, diz Maureen Ryan, crítica de televisão da revista Variety.

“Acho que será difícil criar um programa tão amplamente assistido e comentado, mas não vão parar de tentar. Tivemos uma série de programas com caras barbudos que lutam com espadas. Muitos deles foram medíocres ou horríveis, mas eu suporia que teremos lutas de espada barbudas durante um bom tempo.”

Hoje em dia, quando invade nossas telas, cada temporada parece uma banda de rock conquistadora no último trecho de uma turnê de grandes sucessos e é fácil esquecer que Game of Thrones já foi considerado um enorme risco.

A ideia de que um épico fantástico pudesse se tornar não somente um sucesso, mas um sucesso fora de sua base de fãs formada era inconcebível, e houve muita especulação na indústria, na época, sobre como a HBO ficaria envergonhada ao tentar flertar com um gênero mais adequado aos cantos escuros das livrarias.

Em vez disso, foram os pessimistas que pareceram tolos, enquanto milhões de espectadores eram rapidamente absorvidos por essa complexa história de poder, corrupção e traição. A própria escala do sucesso de Game of Thrones transformou a paisagem televisiva.

Não é simplesmente um programa de fantasia épica, é um programa de fantasia que existe em uma escala épica. Tudo nele parece maior que na maioria dos outros programas, dos cenários e do número de histórias e personagens ao tamanho dos números da audiência.

E por causa dessa escala e do sucesso subsequente do programa, é difícil escapar da sensação de que estamos, como diz Ryan, assistindo à “blockbusterização da tevê”.

“Minha sensação é de que a criação e o marketing de Game of Thrones fez parte de uma aposta bem consciente da HBO de mudar o foco das produções audiovisuais de grande orçamento do cinema para a tevê de prestígio”, afirma Martin Barker, professor emérito na Universidade Aberystwyth e coordenador do projeto Pesquisa de Game of Thrones, que examina o significado da série para seus fãs.

“Isso teve uma influência na mídia. A tevê tem se tornado uma “caixa de streaming”, e ainda estamos entendendo as implicações disso.” 

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