Número de seguidores nas redes sociais é critério em seleção de ator – 17/09/2017 – Maurício Stycer – Colunistas

By | 17th September 2017

Muito do apelo de “Black Mirror” se deve à habilidade da série em imaginar as consequências, em um futuro próximo, do desenvolvimento das tecnologias que dispomos e usamos hoje.

“Isso é muito Black Mirror!” se tornou um bordão entre os fãs do programa justamente por isso. Expressa a surpresa ao identificar, em acontecimentos do nosso cotidiano, situações descritas ou sugeridas pela série futurista, disponível na Netflix.

Um dos episódios mais populares descreve um mundo em que pessoas têm mais ou menos direitos em todos os campos da vida de acordo com a avaliação (de 0 a 5) que recebem dos amigos, colegas e estranhos no dia a dia.

Intitulada “Nosedive” (ou “Perdedor”, na versão brasileira), a história transforma em pesadelo a compulsão moderna por exposição nas redes sociais. A busca por “likes” e “curtidas”, que hoje parece ser movida por vaidade, se torna, no episódio, um elemento essencial à sobrevivência.

Esta longa introdução foi feita com o propósito de comentar uma declaração de Sophie Turner sobre este assunto. Aos 21 anos, a atriz já é uma celebridade, por CAUSA do papel da princesa Sansa Stark em “Game of Thrones”, que ela encarna desde que tinha 15.

Capa da edição de agosto da revista “Porter”, publicação dedicada a consumo de luxo, ela contou que já conseguiu um trabalho por causa do número de seguidores que tem.

“Muito do que alcancei se deve ao timing e à sorte, mas também, e odeio dizer isso, ao grande número de seguidores nas redes sociais”, disse. “Eu me candidatei a um projeto e ficou entre eu e uma outra garota, que é uma atriz bem melhor que eu. Mas eu tinha os seguidores e consegui o trabalho. Não é certo, mas hoje faz parte da indústria do cinema.”

Na semana passada, a atriz brasileira Natallia Rodrigues publicou em seu perfil no Facebook que perdeu uma oportunidade profissional por não ter um número considerável de seguidores. Ela contou que um produtor, interessado em indicá-la para um trabalho, sugeriu que ela “comprasse” seguidores –um expediente possível, por meio de “robôs” digitais.

Surpresa, Natallia quis entender melhor a questão e ouviu do produtor que a escolha da atriz para o trabalho seria feita com base neste critério –a popularidade nas redes sociais. Ela recusou a oferta.

Por trás dos relatos de Sophie Turner e Natallia Rodrigues se esconde uma idealização: a de que o público imerso nas redes sociais é capaz de dar impulso a produções da velha mídia (filmes, programas de TV, campanhas publicitárias).

Querendo ou não, a atriz de “Game of Thrones” é considerada uma “influenciadora digital”. Ela tem cerca de 9 milhões de seguidores em seus perfis no Twitter, Instagram e Facebook. O que ela fala ou diz interessa a uma multidão de fãs.

Não que a audiência da série da HBO crescerá devido ao sucesso de Sophie Turner com os seus seguidores, mas o movimento que ela causa nas redes sociais ajuda a manter “Game of Thrones” em evidência.

A aposta da Globo em Sophia Abrahão como apresentadora do “Vídeo Show” segue essa mesma lógica, como observei nesta semana em meu blog. Sem o menor jeito para a tarefa, a jovem atriz e cantora mobiliza milhões de fãs nas redes sociais, o que gera comentários positivos para o programa –algo de que ele está precisando demais.

Como se diz, “isso é muito Black Mirror”.

Trailer da terceira temporada de ‘Black Mirror’

Trailer da terceira temporada de ‘Black Mirror’

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