Nove séries nomeadas para os Emmys que Donald Trump deveria ver – Observador

By | 17th September 2017

Procurar neste artigo e no seu título uma provocação é exagerado. É um guia possível para a 69.ª edição dos Emmys que acontecem este domingo, 17 de setembro. São os prémios que consagram a televisão (americana e em alguns casos britânica) e o que de melhor se pôde ver ao longo do último ano. Stephen Colbert apresentará a cerimónia, entre os programas com maior número de nomeações estão “Westworld” (22), “Saturday Night Live” (22), “Feud: Bette and Joan” (19), “Stranger Things” (19) “Veep” (17) ou “The Handmaid’s Tale” (13).

Fazer previsões é um jogo divertido, mais divertido é sugerir séries para Donald Trump ver. Para respirar um pouco do entretenimento da Fox News e parar de rever episódios do “The Apprentice” (programa que nunca ganhou um Emmy, por isso Donald Trump deve achar os Emmys estúpidos). Tão pouca variedade faz mal e é um passo atrás em relação a Obama, que habituou o mundo a um presidente norte-americano que falava com conhecimento de séries como “The Wire”, “Veep”, “Breaking Bad”, “Game Of Thrones” ou “Parks And Recreation”. Há aqui material que lhe pode dar algumas ideias, mostrar-lhe que há coisas que só ficam bem na ficção.

“House Of Cards” ficou de fora porque é óbvio, “Saturday Night Live” porque Trump deve ver (falam muito nele) e “American Ninja Warrior” porque o autor do artigo não tem mais nada para escrever senão “’American Ninja Warrior’, é preciso dizer mais alguma coisa?”. Prontos? Vamos.

22 nomeações para esta série da HBO criada por Jonathan Nolan (o irmão do Christopher) com a sua mulher, Lisa Joy, muitas delas nas categorias principais. Baseado no filme homónimo escrito e realizado por Michael Crichton, “Westworld” transporta para um futuro onde um parque de diversões é agora um exercício de role playing misturado com a velha história do homem brincar aos deuses. A Trump talvez não lhe interessasse tanto essa trama, mas era pessoa para mandar construir um “Westworld”, criar o maior cenário western do mundo e realizar a sua fantasia de brincar aos cowboys. It’s going to be huge.

Produção da Netflix, “The Crown” foi das melhores estreias do ano passado e involuntariamente – ou talvez não – apropriada num ano em que aconteceu o referendo do Brexit e a eleição de Trump. A relação entre a rainha Elizabeth II e Winston Churchill é um quadro bonito em “The Crown”. Espelha bem a política europeia e britânica após a Segunda Guerra Mundial. A série vive encantada com um mundo da política que parece já não existir e não disfarça a intenção de ridicularizar os macacos da política. Bem, talvez Trump não achasse tanta piada a isto. “The Crown” tem treze nomeações, entre as quais Melhor Série Dramática, escrita e interpretação. Algo que partilha com muitas das séries aqui referidas.

A adaptação do romance de Margaret Atwood continua inédita por cá, mas é sem dúvida um dos acontecimentos deste ano. As treze nomeações de “The Handmaid’s Tale” confirmam o carinho que recebeu da crítica e do público. Quando foi transformada em série talvez Trump estivesse ausente da cabeça dos criadores, mas na altura da sua estreia a associação ao Presidente dos Estados Unidos era incontornável. O mundo distópico de Atwood está vivo e com maior presença na atualidade do que quando a romancista o idealizou nos anos 1980. Em muitas manifestações no Estados Unidos no último ano viram-se cartazes que diziam qualquer coisa como “’The Handmaid’s Tale’ não é um guia, é um trabalho de ficção”. A ideia de ser um guia é hoje mais real do que há um ano.

A primeira temporada de “This Is Us” (11 nomeações) deveria ser usada, a partir de agora, como um teste, ou desafio, para aqueles que dizem que nada lhes faz chorar. Isso é porque nunca viram “This Is Us”. Ou não vêem porque têm medo de ceder. Isto tudo para dizer que esta série, cuja segunda temporada estreia dia 28 de setembro no Fox Life, é um daqueles dramalhões tramados que injectam alguma humanidade nos mais cruéis dos seres (ninguém está a dizer nomes). E não é assim só porque sim, tem mesmo de ser. Ainda por cima é muito boa. Trump talvez não gostasse, mas ia começar a chorar cada vez que ouvisse a “Blues Run The Game” de Jackson C. Frank.

Selina Meyer (Julia Louis-Dreyfus no papel de uma vida) e a sua equipa podem ser aquilo que existe de mais parecido, na ficção atual, com a administração de Donald Trump mas não é por isso que está aqui. Até porque ninguém se chegou à frente para dizer que “Veep”, já em 2012, mostrava alguns destes desastres. Não, “Veep” está na lista porque é uma das melhores comédias desta década (talvez a melhor). Trump até pode não gostar deste retrato, ou de ver uma mulher no poder, mas vai encontrar em Jonah Ryan um grande amigo.

A minissérie da HBO conseguiu treze nomeações, muitas delas em categorias de interpretação. E como não? Há por lá Michael K. Williams (o Omar de “The Wire”), John Turturro, Riz Ahmed e Bill Camp e se só tem espaço para uma minissérie por ano, veja esta. Sim, “Big Little Lies” tem mais nomeações mas acredite, não é tão boa como “The Night Of”. A transformação de Nasir (Ahmed) na prisão mistura subtileza, violência e qualquer coisa de trágico na inocência da personagem. Fala muito sobre preconceito e racismo, não é material para as férias de Trump, mas até escorregaria em maratona durante uma das suas famosas noites de insónias.

Trump: eu sei, aqueles episódios iniciais da segunda temporada são giros e tal, mas é um bocadinho demais aquela coisa do Aziz Ansari atirar na cara que passou uns dois fins de semana a ver Antonionis, Fellinis, Viscontis e De Sicas para fazer igual. Não há muita paciência para isso. Mas fica melhor, deixa aquilo chegar ao terceiro episódio, no quinto já estás rendido. Talvez tu não sejas como nós e nunca tiveste uma daquelas paixões impossíveis, nunca sofreste verdadeiramente com essa coisa do amor. Tu tens tudo, não é? Mas tal como nós sonhamos em viver numa penthouse, pedia-te agora que sonhasses em ser um pouco como nós e ter sentimentos. Os episódios têm quase todos 30 minutos, veem-se num instante. Ignora é aquelas cenas em Itália, para isso nem nós, os outros, temos paciência.

“Feud” é mais uma criação de Ryan Murphy, um novo dossier de séries de antologia para juntar à muito popular “American Horror Story”. Continua inédita por cá, o que é uma pena, porque não é todos os dias que se junta Jessica Lange e Susan Sarandon a interpretarem Joan Crawford e Bette Davis durante as filmagens de “Que Teria Acontecido a Baby Jane?” Na altura ambas eram atrizes da Warner, com carreiras em fase descendente, e não morriam de amores uma pela outra. “Feud” fala do estrilho entre elas, que resultou num filme intenso. Talvez Trump tenha aqui a ideia que lhe falta, convidar Kim Jong-un para um filme (o pai gostava muito de cinema, até escreveu um livro). Ah, o segundo “Feud” contará a história do Príncipe Carlos e Diana.

“Black Mirror” tem poucas nomeações (3) mas está aqui porque faria bem a Trump perceber que há coisas na realidade de “Black Mirror” que não estão assim tão distantes da realidade quanto isso. “San Junipero” é uma boa brincadeira com essa ideia da imortalidade e nostalgia (o episódio tem duas nomeações), mas episódios como “Hated In The Nation” mostram como casos como o da Justine Sacco só se vão tornar mais recorrentes e com consequências mais dramáticas: e não é por causa de “Black Mirror”, a história recente tem ensinado isso. Por isso, Trump, vai lá ver “Black Mirror”, até podes começar na primeira temporada, porque a alienação de “The National Anthem” liga-se bem com esse “Hated In The Nation”, e desliga lá o Twitter. O mundo não precisa disso.

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