Game of Thrones: Sétima Temporada – Episódio 3

By | 31st July 2017

No início desse terceiro episódio, “The Queen’s Justice“, Jon Snow (Kit Harrington) comprovou que ainda tem muita coisa estranha por ver em sua (segunda) vida, como bem comprovou com o voo rasante dos dragões de Daenerys (Emilia Clarke) ao chegar em Dragonstone. Nada disso tirou o foco do Rei do Norte quanto ao objetivo da visita dele: lutar contra os White Walkers com o máximo de gente (viva) possível. O embate de poder, autoridade e a sombra das desavenças e traições entre Targaryens e Starks no passado por pouco não desestabilizaram o encontro. A capacidade de comunicação e o modo de colocar-se perante os demais líderes é um tema que, mais que nunca, vem sendo explorado na série, e como estamos já quase no meio da temporada, podemos tomar como garantido que é um dos mais centrais esse ano.

É o que comprovamos também com Sansa em Winterfell. Cada vez mais segura de seu papel prático e simbólico no Norte, ela tem sabido lidar com as atividades cotidianas de liderança, mas a proximidade com o Mindinho, para variar, permanece dúbia – será ele um mentor ou uma ameaça? A humanidade de Sansa parece preservada por enquanto, como bem lembramos no breve, mas tocante reencontro entre ela e Bran (Isaac Hempstead-Wright, cada vez mais sinistro), quando ele afirma ter visto imagens mentais do casamento de Sansa com o finado Ramsay Bolton (Iwan Rheon).

Enquanto isso, a misoginia rolou solta em King’s Landing, com a chegada de Euron (Johan Philip Asbæk) e suas prisioneiras, Ellaria (Indira Varma), Tyene (Rosabell Laurenti Sellers) e Yara (Gemma Whelan), expostas pelas ruas da cidade e sendo chamadas de “vadias” pelo povo de Westeros. Pelo menos, esse ódio às mulheres vem sendo usado de maneira proeminente pelos personagens que naturalmente acabamos apenas odiando, o que é o caso do Greyjoy, ao contrário do que víamos algumas temporadas atrás, quando nosso favorito Tyrion (Peter Dinklage) soltava algumas falas nada espirituosas com o mesmo teor (não que ele não faça mais isso – afinal, é uma fantasia medieval da HBO –, mas agora é em menor escala).

Embora breve, a conversa entre Euron e Jaime (Nikolaj Coster Waldau, meio nessa temporada) acabou retomando também outro tópico caro à série: a função espetacular dos rituais de punição – o famoso circo do duo “pão e circo”. Esse ponto se junta a um mais amplo, e que demarca a principal diferença entre Daenerys e Cersei: a primeira pode saber como poucos a arte de dominar, mas a última sabe como manter o poder que conquista através do temor, vide a conversa com o representante do Banco de Davos. Ao pontuarem o papel do dinheiro no andamento da guerra – um paralelo cruel com nossa realidade – Cersei (Lena Headey) talvez tenha feito seu movimento mais inteligente até agora ao frisar o papel desestruturador dos ideais revolucionários defendidos por Daenerys, incluindo-se aí o desejo de acabar com a escravidão. A Lannister trouxe à tona o medo da mudança ao banqueiro e, principalmente, a ameaça de um mundo no qual a vida humana teria mais valor que moedas de ouro – outro importante paralelo com o mundo real.

Cada vez mais implacável e vitoriosa, não é por acaso que Cersei já está ganhando até admiradoras, como a serva que foi aos aposentos da rainha em dada cena, apresentando roupas e corte de cabelo similares aos da monarca (e ainda a pegando no flagra de um after de sexo muito errado com Jaime). É um recurso já utilizado pela série anteriormente, quando as jovens imitavam a outrora popular Margaery (Natalie Dormer), por exemplo, e que sempre funcionou como demarcação de influência no reino.

Porém, destaca-se que a vingança continua sendo, em grande medida, a força motora de Cersei, principalmente na escolha pela tortura psicológica à prisioneira Ellaria, sentenciada a testemunhar a lenta morte da filha por envenenamento; pelo sacrifício estratégico de Casterly Rock; e pelo desejo de torturar Olenna (Diana Rigg) até a morte no ataque à High Garden – dissuadido por Jaime, que descobre finalmente quem arquitetou a morte do filho, Joffrey (Jack Gleeson). Aliás, que alívio essa morte minimamente digna à última líder dos Tyrell, assim como sua cena de encerramento atrevida e tocante ao mesmo tempo.

Como garantia de continuidade de um plot importante, mas não necessariamente muito exposto até agora, temos o fato de que Jon conseguiu o Vidro de Dragão ao negociar com Daenerys. Aliando isso à habilidade cada vez mais clara de Samwell (John Bradley-West) de decifrar os antigos conhecimentos escondidos na Cidadela – o que incluiu a cura de Jorah (Iain Glen) – podemos esperar uma luta árdua, mas não tão absurdamente desigual, contra os White Walkers daqui para o final da série.

No final das contas, a justiça da rainha que dá título ao episódio ainda se volta para os conflitos no Sul e é um termo vago e multifacetado: tanto para Cersei quanto para Daenerys, ele se confunde com vingança e com a necessidade de continuar em frente apesar de todas as perdas.

Game of Thrones: Sétima Temporada – Episódio 3

Susy Freitas

31 de julho de 2017

8/10

8
Nota

Game of Thrones: Sétima Temporada – Episódio 3

Encontro entre Daenerys e Jon Snow

8

Susy Freitas

Formada em Letras e Jornalismo e mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade Federal do Amazonas. Atua como professora na área de Comunicação. Escrevia sobre cinema em blogs pessoais e fez parte da equipe do Set Ufam. Integra a equipe do Cine Set desde 2013. É membro da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), do Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema e da Liga dos Blogues Cinematográficos.

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