Game of Thrones | Romance, despedidas e pancadaria no penúltimo episódio da temporada

By | 21st August 2017

Cuidado! Spoilers abaixo!

Beyond the Wall se beneficiou da competente direção de Alan Taylor. Calejado em Game of Thrones, tendo comandado vários episódios das duas primeiras temporadas, ele retornou à série em grande estilo, depois de uma investida mediana em Hollywood (Thor: o Mundo Sombrio e O Exterminador do Futuro: Gênesis).

Mas o grande trunfo foi mesmo o ótimo roteiro dos showrunners David Benioff e D. B. Weiss. Praticamente restrito a um único núcleo narrativo, o episódio deixou de lado a correria da semana anterior e explorou muito bem o ritmo, com o início cadenciado evoluindo para uma escalada de tensão. A estrutura foi exemplar: os diálogos principais serviram não apenas para desenvolver os personagens e a dinâmica entre eles como também para preparar os acontecimentos seguintes.

A conversa entre Beric Dondarrion (Richard Dormer) e Jon Snow (Kit Harington), por exemplo, contrapôs a fé de um e os questionamentos do outro. A fala de Beric sobre a necessidade de seguir em frente, independentemente do propósito, retomou a frase de efeito de Jon no capítulo passado — “estamos todos do mesmo lado, estamos todos respirando” —, além de se conectar à sua própria conclusão posterior, na sequência da batalha: talvez os dois tenham sido trazidos de volta à vida justamente para estar ali, enfrentando o Rei da Noite.

A troca de lembranças de sor Jorah Mormont (Iain Glen) e Thoros de Myr (Paul Kaye) a respeito do cerco ao castelo de Pyke, nas Ilhas de Ferro, durante a rebelião que derrubou o rei louco e colocou Robert Baratheon (Mark Addy) no Trono de Ferro, trouxe uma discussão envolvendo a bravura, elogiada pelo cavaleiro e desdenhada pelo sacerdote vermelho — e o fato de Thoros ter minimizado seus atos de coragem passados, atribuindo-os à bebedeira, o alinhou com o arquétipo do anti-herói, conferindo algum peso ao seu sacrifício.

Até mesmo a hilária discussão entre Tormund Terror dos Gigantes (Kristofer Hivju) e Sandor Clegane (Rory McCann), que inicialmente parecia ter sido incluída como mero alívio cômico, teve, na verdade, a função de antecipar o resgate do selvagem pelo Cão, estabelecendo uma inusitada conexão entre eles.

Surpreendentemente, Tormund acabou sendo responsável ainda por uma observação das mais sagazes: logo no início, ao saber da posição de Jon diante de Daenerys Targaryen (Emilia Clarke), ele lembrou que o orgulho de Mance Rayder (Ciarán Hinds) em sua recusa de dobrar o joelho a qualquer rei ou pretendente ao trono de Westeros havia custado a vida de muitos selvagens. O comentário visivelmente repercutiu na consciência de Jon — assim, a decisão do rei do Norte de, enfim, reconhecer a khaleesi como rainha fechou um círculo no capítulo.

O reencontro dos dois, aliás, foi um dos pontos altos. O envolvimento romântico entre Jon e Daenerys, há muito sonhado pelos fãs e até então apenas sugerido nos episódios anteriores, deixou de ser hipotético para se tornar possível. Resta saber se a descoberta de que Jon é um Targaryen legítimo irá aproxima-los ou dividi-los…

Nada, no entanto, foi mais tocante do que o destino de Viserion. Quando parecia que haveria apenas a morte de um personagem secundário — o que, em termos narrativos, reduziria o significado da batalha com os Outros, uma vez que perdas pequenas pressupõem riscos pequenos —, o dragão foi abatido tragicamente e, mais tarde, trazido de volta pelo Rei da Noite. Esse final impactante gera dúvidas importantes no que diz respeito a um futuro confronto entre Viserion e os irmãos Drogon e Rhaegal. Também coloca em xeque a hipótese de que o antigo bordão Targaryen que diz que “o dragão tem três cabeças” significa que três membros da família irão cavalgar os “filhos” de Daenerys — o terceiro seria Tyrion Lannister (Peter Dinklage), suposto filho bastardo de Aerys. Provavelmente, só saberemos as respostas na próxima temporada.

Enquanto isso, que venha o season finale!

Uma questão para o futuro:

  • Inseridas como interlúdios da narrativa principal do episódio, as sequências em Winterfell mostraram a animosidade entre Arya (Maisie Williams) e Sansa (Sophie Turner) evoluir para o conflito aberto. Será que a caçula dos Stark estava blefando ou ela realmente seria capaz de fazer qualquer coisa em nome do que acha correto? Ao enviar Brienne de Tarth (Gwendoline Christie) como emissária para Porto Real, Sansa teve como objetivo afastar uma pessoa que poderia defender sua irmã?

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