‘Game of Thrones’: para assistir de joelhos | Cultura

By | 29th August 2017

Jon Snow somos os espectadores de Game of Thrones que chegamos até a sétima e penúltima temporada. Assistimos uma após a outra, às vezes não sabemos direito o que está acontecendo, tomamos decisões absurdas, como aceitar que tudo o que acontece tem de ser assim, mas continuamos leais venha o que vier. Do contrário, não teríamos aguentado tanto tempo. Até agora, se uma temporada era irregular, nós a analisávamos nos mínimos detalhes. Com esta última, passamos por tudo. E com prazer. Game of Thrones é a série mais espetacular da história, apesar de suas falhas. Em geral, muitos nem se deram conta ou realmente poucos se importaram. O que oferece são batalhas, dragões, sexo, violência, traições, vinganças, alguns diálogos engenhosos e personagens carismáticos. E se sai muito bem em quase tudo. Game of Thrones é uma série de pipoca, de sentar uma hora na frente da televisão e curtir, de comentar o episódio no dia seguinte, de elucubrar teorias com os amigos e plantar desejos para o que está por vir. E a sétima temporada cumpriu tudo.

A HBO conseguiu: a última temporada é a prova definitiva de que seu objetivo é (negócios à parte) fazer o espectador mergulhar de cabeça em Westeros (neste ano com muitos cenários espanhóis) e não querer sair. O desfecho, que foi ao ar na madrugada de domingo para segunda, foi coerente com os seis episódios anteriores em seus acertos e armadilhas. Foi um final satisfatório, sem maiores surpresas, mas com a confirmação de teorias e desejos sobre os Targaryen e os já não tão lentos caminhantes brancos que tantos seguidores vinham elaborando fazia tempo. Mas é sempre melhor evitar as análises exageradas a que somos tão propensos. Esta é uma série para curtir sem saber tudo sobre ela.

Os personagens mantiveram certa coerência também nesta temporada, felizmente. Jon continua tomando decisões absurdas, como continuar brigando em vez de fugir da batalha do outro lado do muro pondo todos em perigo, dragões incluídos, e continua sendo leal e honrado. Tyrion voltou a sua melhor versão, e não a diluída das duas temporadas anteriores. O diálogo com Cersei em Desembarque do Rei esteve à altura. Sempre será o Lannister com coração. Daenerys continua tentando tomar decisões impulsivas, apesar de não a deixarem. E Cersei (vejamos se Lena Headey finalmente ganhará um Emmy em 2018) continua sendo o animal inteligente, desumano e traiçoeiro que todos esperamos que seja até o final.

Foi muito criticada, não sem razão, a passagem rápida do tempo em alguns casos, com muitos personagens viajando de um lado para outro em tempo recorde enquanto os caminhantes brancos levaram sete temporadas para chegar ao muro. Mas é uma das coisas que podem ser perdoadas, porque em troca temos dragões, fogo, grandes batalha e reencontros esperados. Depois de tantas temporadas com episódios sem muita carne, de aprofundar em personagens, a sétima temporada foi direto ao ponto, ao espetáculo, sem perder tempo. Para não perdê-lo, até o sexo gratuito desapareceu. “Não temos tempo para isso”, chega a dizer Jon Snow sobre o tema. E isso leva a outra crítica: a pouca química entre Jon e Daeneyrs, e o fato de não estarem entre os melhores atores da história também não ajuda. O que não nos impede de sentirmos carinho por eles. Veremos na oitava e última temporada como se desenvolve essa relação.

A paixão e a emoção ganham da razão nesta sétima temporada. O melhor é se deixar levar. Não deixa de ser um mundo de fantasia. O melhor exemplo é o penúltimo episódio, com uma trama cheia de coisas sem sentido, mas que nos deixou imagens e momentos memoráveis. Sim, os corvos transmitem as notícias muito rápido. Sim, esse personagem corre pela neve rápido e incansável como se fosse um atleta superdotado. Sim, Daenerys vai ao resgate imediatamente e, ainda por cima, sabe chegar ao local exato. E daí? Em troca temos a visão desses sete magníficos da neve, o que ocorre com os dragões, o exército de mortos e a constatação de que personagens secundários como o Cão ou o selvagem Tormund ficaram com alguns dos grandes diálogos desta temporada…

A armadilha para o espectador nesta temporada, bastante bem executada apesar do desenlace um tanto previsível, esteve com a trama das irmãs Stark. Mas o resultado foi mais que satisfatório. Foi uma temporada de conflitos entre irmãos. Arya com Sansa e Bran e seus frios reencontros. Sofremos quando Ned morreu e todos se separaram, esperávamos mais calor aí. Cersei com Jaime e Tyrion formaram um triângulo interessante de recriminações, traições, decisões e supostas despedidas. Os irmãos Greyjoy ainda têm algo a dizer. Até os Clegane tiveram um momento que antecipa um final seguro para um deles.

E também foi uma temporada de falar do futuro na forma de herdeiros. Cersei diz ter o seu. Daeneyrs diz que não pode tê-los. Mas, lógico, quem disse que não? Uma bruxa da qual não sabemos nada desde o começo da série? A rainha Targaryen nos lembrou ao longo de toda a temporada que, supostamente, é estéril. Com o aperto deste último ano, por que os roteiristas perderiam tempo em recalcar ainda mais esse fato?

A temporada final não tem data confirmada. Segundo rumores, poderia chegar só em 2019 (em todo caso, não antes do próximo mês de julho). Mas esperaremos o tempo que for necessário. Restam somente seis episódios de Game of Thrones. Já nos ajoelhamos diante da rainha das séries, mesmo sabendo de suas falhas. Continuaremos leais à espera de um final espetacular. Dracarys.

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