Game of Thrones – O dossiê da sétima temporada •

By | 11th September 2017

Mais uma temporada de Game Of Thrones chegou ao fim e, por mais incrível que pareça, nunca se comentou tanto sobre a série, tanto no online quanto no offline. O show já se consagrou como fenômeno mundial se tornando uma das marcas mais rentáveis dos últimos anos. Agora, além dos livros que deram origem à série, temos também uma diversificada paleta de produtos que pode abranger desde decorações e roupas, até comidas, bebidas e estratégias de marketing. E como nós do Tipzine não poderíamos deixar você na mão, vem com a gente que esse dossiê está de fazer inveja até no Japonês da Federal. Vamos falar sobre as polêmicas da série nesse novo ano, os acertos e os muitos erros e todos os detalhes que você possa ter perdido.

Muito se falou sobre GOT nesse sétimo ano da série, mas as questões mais recorrentes certamente foram as críticas a respeito do seriado. A legião de fãs, antes fortemente devota, se subdividiu em uma parcela de admiradores grandiosamente frustrados com o desempenho desta temporada. “Game of thrones ficou um lixo; Virou fanfic; Lostlizaram GOT“: gente, apenas não.

Não estamos dizendo que a série é perfeita e que todas as críticas são vazias, na verdade boa parte das reclamações são visíveis e bastante táteis, mas o real problema não é uma particularidade dessa temporada. Todas as piadinhas a respeito dos teletransportes dos personagens e sobre as partes da história que acabaram ficando sem sentido podem ser muito bem explicadas com o fato do roteiro ser algo de suma importância em um programa, ainda mais quando falamos de tamanha magnitude, como Game of Thrones.

Infelizmente, essa baixa no desempenho já havia sendo mostrada desde o quinto ano, quando o enredo ultrapassou os livros. Ah, mas eu não vi ninguém reclamando da quinta: então aparentemente você acabou se esquecendo o que fizeram com Dorne, né? A bagunça entre o barco que deveria levar Trystane e Myrcella juntos pra Porto Real, que magicamente se transformou em dois navios no meio do trajeto, porque enquanto Jaime entregava o corpo de Myrcella na Fortaleza Vermelha, Trystane já recebia a nada agradável visita das Serpentes de Areia, em duas localidades completamente opostas no continente. E isso é só um pequeno exemplo das falhas no roteiro que geraram tamanha frustração do público, principalmente para quem já leu os livros.

É claro que são duas coisas bem diferentes – os livros e a série -, e eu particularmente sou uma grande defensora desta questão, mas é matemático que se mudamos a base de algo, o resultado pode – e provavelmente vai – sofrer alterações também. Nesse ponto, eu gostaria de ressaltar que Game of Thornes é uma história extremamente difícil de ser feita, tão difícil que nem o próprio George Martin está conseguindo lidar com ela, visto que o público já espera pelo sexto livro da saga – Os ventos do inverno – há mais de dois anos, considerando datas oficiais já divulgadas e revogadas.

Mas se a série já apresentava defeitos desde a quinta temporada porque só agora as pessoas estão tão bravas? Porque na reta final não sobra espaço para esconder a sujeira embaixo do tapete. O seriado ficou mais curto nessa temporada vindo ao ar com apenas sete episódios, e a próxima vai diminuir ainda mais, trazendo apenas seis. Mesmo que tenham apresentado capítulos mais longos do que os anteriores, o show não tem mais espaço para mascarar os defeitos da narrativa usando artifícios coerentes como as conhecidas cenas vazias que sempre foram fortemente usadas para preencher ou explicar algum personagem. Essas cenas têm como característica serem mais emocionais, reflexivas e ligadas à sensibilidade do que os diálogos ou tensões justamente por ser responsável pela profundidade do enredo, como, por exemplo, Ygritte e John Snow, observando o grande norte do topo da Muralha.

O enredo ficou raso, o roteiro infelizmente sofreu muito com suas falhas e a falta de tempo acabou forçando a entrada de soluções da narrativa extremamente blasé, como a gravidez de Cersei para garantir uma conexão de Jaime com o núcleo de Porto Real. Aí vocês perguntam: mas então nós devemos ficar apenas conformados com  a com a série? Óbvio que não. É mais do que visível que nós esperávamos muito mais do que está sendo apresentado, mas, mais uma vez, é preciso usar a lógica.

Toda história tem seu início com a ambientação, inicia uma expansão apresentando seus personagens e narrativas, se estabiliza na manutenção, onde o enredo se desdobra e a história acontece para depois começar a queda que geralmente são as soluções dos problemas, as vitórias, a conclusão para o encerramento. Infelizmente, nossa narrativa já está em queda há algum tempo. Se nós fôssemos realmente fazer conta sobre isso, seriam necessárias muitas temporadas para ser desenvolvê-la de forma adequada. É história demais para ser contada e concluída na televisão. Nos livros isso se desenvolve de maneira mais simples porque tudo é realizado através da narrativa, a parte visual fica por conta do leitor, e vocês estão lembrados que só teremos mais seis episódios, né? Infelizmente estamos na parte em que as coisas que precisam acontecer finalmente acontecem, e devido a falta de espaço, muitas dessas resoluções aconteceram de forma banal para o nível que esperávamos desse programa.

Mas, se tem algo do qual não podemos reclamar são as questões artísticas da série. Game of Thrones, graficamente falando, segue seu caminho com uma maestria que não é vista facilmente em outras produções. Os figurinos, cenários, efeitos visuais, tudo sempre esteve e continua impecável. Essa temporada, apesar de fazer com que os defeitos ficassem tão aparentes, também nos trouxe algumas felicidades, como o ataque de Daenerys ao exército Lannister, que facilmente coloca o episódio quatro como melhor episódio dessa season. Não foi só uma sequência de cenas magnífica, foi também a cena mais difícil já gravada em toda a série, além de trazer vários recordes como a cena com o maior número de explosões e incêndios já feita na televisão.

Fotografia e sonoplastia também seguem em um alto e belíssimo padrão, garantindo que o seriado prove sua força nos detalhes, como, por exemplo, As chuvas de Castamere – música que foi tema do Casamento Vermelho e representa a glória Lannister -, tocando de fundo enquanto Jaime afunda lentamente no rio depois de ser salvo por Bronn. Ou quem sabe até as sequências de Além da Muralha, onde os efeitos do urso polar zumbi ficaram sensacionais, mas os planos abertos no meio da nevasca são inacreditavelmente belos e realizados com uma mixagem sonora magistral. Não podemos esquecer também do casting da série que segue apresentando desempenhos sensacionais em todos os núcleos, com destaque para Aidan Gillen, pelas cenas perfeitas na pele do, agora finado, Lorde Baelish, e Alfie Owen-Allen que interpreta Theon Grejoy, mas se consagra mesmo na mudança de Theon para Fedor (sim, são dois personagens diferentes, prestem atenção nos tiques!)

Na somatória da temporada como um todo, Game of Thrones carrega problemas de roteiro que começaram a prejudicar a trama diretamente, exagerando em elipses temporais e descuidando de alguns detalhes que poderiam auxiliar essa parte do desenvolvimento, como nos diálogos, por exemplo. O lobo de John Snow está desaparecido desde a Batalha dos Bastardos e muita gente vinha sentido falta dele, o que foi resolvido com duas falas entre Sansa e Arya: “Você acha que eu sou o Fantasma pra ficar aqui sentada esperando pelo John?”.

Entre frustrações e falhas de roteiro, o que nos resta é respirar fundo e esperar que a última temporada faça jus ao fenômeno mundial que essa história se tornou, principalmente agora que esperamos por nada além do que a temida Longa Noite. Boatos muito fortes afirmam que a temporada final só chegará ao público só em 2019 devido a pós-produção do show que está estimada em aproximadamente dez meses.

Confira o trailer desta temporada:

 

Jôicy Franco

Social Media, 24 invernos.
Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.

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