Game of Thrones | Entenda o que representam os desenhos da caverna em Pedra do Dragão | Artigo

By | 11th August 2017

Antes do quarto episódio da sétima temporada de Game of Thrones se tornar um campo de batalha entre os Dothraki de Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) contra os Lannister de Jaime (Nikolaj Coster-Waldau), uma cena muito importante se desenrolou em Pedra do Dragão. Jon Snow (Kit Harington) em suas incursões atrás de vidro de dragão pelo subterrâneo da fortaleza, encontra paredes cobertas por desenhos milenares, feitos pelos Filhos da Floresta. Entre diversos símbolos com formatos espirais, estavam também os White Walkers – Jon usou as pinturas para provar à Daenerys que sua empreitada contra o Rei da Noite é legítima e anterior a eles.

As imagens registram uma aliança entre os Primeiros Homens e os Filhos da Floresta durante o período conhecido como a Longa Noite, mas nem sempre as coisas entre as duas espécies foram pacíficas. Recapitulando, os Filhos da Floresta são criaturas que viviam em Westeros muito antes da chegada dos Primeiros Homens, os ancestrais dos habitantes do continente vistos na série – Bran (Isaac Hempstead-Wright) os conheceu durante sua incursão além da Muralha. O jovem Stark foi levado para dentro na árvore do Corvo de Três Olhos por Folha (Kae Alexander), um desses seres. Os invasores chegaram queimando represeiros, as árvores sagradas para os Filhos da Floresta e as duas espécies entraram em guerra.

Os dois precisaram, contudo, se unir na Longa Noite. Os Filhos da Floresta criaram os White Walkers, um tipo demoníaco de criatura, para se proteger dos homens – isso é revelado para Bran no quinto episódio da sexta temporada. É claro que as criaturas logo se tornaram uma ameaça maior do que a guerra entre os Filhos e os homens, fazendo com que ambas espécies se aliassem para expulsar as criaturas para as Terras de Sempre Inverno, o que só se concluiu com a chegada do Azor Ahai – leia aqui todas as teorias sobre o Azor Ahai. Com os passar dos milênios, homens e Filhos da Floresta se afastaram até que os segundos se tornaram apenas lendas, assim como os White Walkers.

Isso tudo foi explicado a Daenerys por Jon Snow na caverna. “Os Filhos da Floresta fizeram isso, muito tempo atrás”, disse sobre os desenhos nas paredes. “Estiveram aqui todos juntos, eles e os Primeiros Homens. Eles lutaram juntos contra o mesmo inimigo. Apesar de suas diferenças, apesar de suas desconfianças. Juntos. Precisamos fazer o mesmo se nós quisermos sobreviver. Porque o inimigo é real. Sempre foi real.” Nesse momento, os dois observavam um desenho onde era possível ver não só o Rei da Noite, mas também três outros White Walkers em volta dele – formação parecida com o momento em que a caverna do Corvo de Três Olhos foi invadida e Bran fugiu com Meera Reed (Ellie Kendrick). Contudo, essa referência não foi a única do episódio: vários dos símbolos vistos nas paredes também já apareceram na série.

Game of Thrones abriu seu episódio de estreia com uma cena em que três homens da Patrulha da Noite esbarravam em um White Walker – nela, há um momento em que um deles encontra uma pilha de corpos fatiadas, formando um símbolo redondo cruzado por uma linha. O homem que encontra esse símbolo é o único sobrevivente do encontro com o monstro azul e, posteriormente, é executado por Ned Stark (Sean Bean) por fugir da Muralha. No terceiro episódio da terceira temporada, Jon Snow e os Selvagens encontram uma espiral feita por cavalos mortos e Mance comenta “sempre artistas”, dando a entender que os povos Além Da Muralha estão acostumados a encontrar esse tipo de coisas.

Os símbolos circulares, aliás, são frequentes na história. Em outro momento dos White Walkers, mais especificamente no quarto episódio da quarta temporada, o Rei da Noite entra em uma estrutura circular para pegar uma dos bebês de Craster. A missão de Bran depois que ele atravessa a Muralha também é pontuada por esses símbolos – e é claro que tudo isso esbarra na história do Rei da Noite e do seu exército de mortos. No quinto episódio da sexta temporada, o jovem Stark tem uma visão sobre o surgimentos das criaturas assustadoras e é possível ver formas espirais ao redor do represeiro onde Folha coordena o ritual, enfiando uma estaca de vidro de dragão no peito de um homem comum.

Levando em conta o cuidado que David Benioff e Dan Weiss tiveram como outros aspectos da trama, como diálogos que se espelham mesmo separados por inúmeras temporadas ou na construção coerente de idiomas pelo linguista David J. Peterson, é muito difícil acreditar na aleatoriedade desses símbolos. A visão de Bran mostra que eles antecedem a criação dos White Walkers, mas que, de alguma forma, se tornaram intrinsecamente ligados a eles. Além das referências visuais, os próprios Benioff e Weiss falaram em um vídeo divulgado pela HBO que há um significado para eles e que foram buscadas referências no mundo real – assim como acontece no desenvolvimento dos idiomas, quando o Alto Valiriano é tratado como uma espécie de latim do universo de George R.R. Martin.

A ideia era que essa fosse uma daquelas cavernas em que homens pré-históricos viviam e pintavam nas paredes, com a diferença de que, no nosso caso, eram os Filhos da Floresta“, contou Benioff. “Era para ser algo bastante evocativo dos milhares de anos que passaram desde a primeira vez que essas cavernas foram exploradas e pintadas. Além, obviamente, de algo que se relaciona com a trama atual, porque fala sobre como esses dois povos distintos se uniram para combater um inimigo comum. Alguns símbolos nas paredes são para nos lembrar de coisas que já vimos antes, como o primeiro padrão geométrico que vimos na série, feito pelos White Walkers com partes de corpos.

Uma das coisas que aprendemos dessas pinturas é que os White Walkers são capazes de criar imagens relativas aos seus criadores, os Filhos da Floresta, já que são padrões que têm significados simbólicos para eles. Não temos certeza exatamente do que eles significam, mas os padrões espirais são importantes em muitas culturas diferentes em nosso mundo, então faz sentido que eles também estejam na série“, completou.

De fato, muitos símbolos circulares ou espirais foram usados ao longo da história da humanidade – e, curiosamente, observando seus significados na prática, é possível traçar determinadas conexões com o que é apresentado na série. De forma genérica, a espiral já foi usada em várias culturas para representar a essência do mistério da vida: celtas, astecas e povos orientais utilizavam a forma para falar do fluxo de energia que faz surgir e que mantém o que entencemod como vida. Faz sentido, portanto, que esse símbolo tenha sido utilizado durante o ritual de criação dos White Walkers, criaturas com a capacidade de levantar exércitos de, paradoxalmente, mortos. O formato do círculo também possui relação com a ideia de vida – hindus e budistas usam a forma para representar o ciclo existencial, por exemplo.

Levando em conta que o Rei da Noite e seu exército de mortos estão cada vez mais perto de um confronto decisivo com os heróis de Westeros, é provável que esses símbolos apareçam cada vez mais na série – e, é claro, que mais coisas sobre eles sejam reveladas. Game of Thrones é exibida no Brasil pela HBO. O próximo episódio da sétima temporada vai ao ar em 13 de agosto, às 22h.

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