Game of Thrones – “Dracarys” Contra-Ataca

By | 11th August 2017

Daenerys chegou à Westeros logo no primeiro episódio da sétima temporada. Com aliança das grandes casas do Sul, a Mãe dos Dragões tinha exércitos, frotas e recursos mais do que necessários para tirar Cersei Lannister do Trono de Ferro. Entretanto o que vimos nos episódios seguintes foram os irmãos de Tyrion frustrando as suas estratégias e em dois episódios, Daenerys perdeu sua frota (não sabemos se toda), parte de seu exército (os Imaculados em Rochedo Casterly) e as aliadas das famílias da Ilha de Ferro, Dorne e Jardim de Cima. Era hora de Daenerys deixar a política e estratégias de batalha um pouco de lado e seguir o conselho de Olenna Tyrell: “Seja o Dragão”!

O quarto episódio, “The Spoils of War”, finalmente justificou o fato da sétima temporada ter apenas sete episódios. Até então essa enxugada nos episódios havia apenas prejudicado a narrativa ao relevar continuamente a geografia desse universo. Já era algo discutido nas temporadas anteriores, mas que aqui, com as tramas cada vez se interligando mais, as viagens de um lugar para o outro, viraram questões de no máximo um episódio de diferença, sem soar que o tempo passou durante esse período. Porém o nível de produção da batalha que vemos no final desse episódio, justificou o corte de três episódios para aumentar o orçamento e criar sequências fantásticas na televisão. Tornando até a maior tela, pequena!

Deixando a batalha um pouco de lado, esse episódio focou muito na parte do Norte, com o reencontro da Família Stark. Bran já havia retornado no episódio anterior, mas agora foi a vez de Arya voltar para casa. O encontro de Sansa e Arya foi um pouco frio e menos emotivo que o esperado, porém ele é funcional na trajetória das personagens. Ficando cara a cara com a estátua do pai delas!

Agora algo que vem incomodando um pouco, talvez por uma falta de construção da temporada passada, são as personalidades da Arya e do Bran. No caso da Arya, ela vem se portando com uma certa frieza, ao mesmo tempo que se mostra cheia de si, que na temporada anterior não havia algum indício. A exceção é a cena do sétimo episódio da sexta temporada, em que ela dá dinheiro à um capitão para levá-la de volta à Westeros, mas aí ela é atacada pela garota e leva as facadas e o resto já sabemos. Aquela cena talvez seja a pior da temporada anterior, pois é totalmente desconexa com o que a trama da Arya estava levando. Criou uma certa ilusão (totalmente sem propósito) de perigo  pra personagem e que não adicionou em nada, até agora! Esse comportamento de se exibir é mostrado aqui na sequência dela treinando com a Brienne e mostrando o resultado do seu treinamento com Syrio Forell e posteriormente na Casa do Preto e do Branco. Que rendeu a piada de que ela treinou com Ninguém!

Já o Bran, após a fuga da caverna do Corvo de Três Olhos, em que ele está preso em um loop temporal, adquirindo todas as informações daquele universo, quando ele volta ao normal e é salvo pelo Benjen Stark, ele ainda se porta como o Bran de sempre. Desde que ele reencontrou com a Sansa no episódio anterior, ele parece estar catatônico, sem nenhuma emoção. Aqui ficou mais claro que quando os White Walkers matam o Corvo de Três Olhos, o Bran toma essa função, então ele deixou de ser o garoto, herdeiro de Winterfell. Isso ficou claro na frieza da despedida dele com a Meera, que arriscou a vida dela, perdeu o irmão, tudo para que o Bran virasse o Corvo de Três Olhos e ainda voltasse para casa. Conseguiram justificar, mas na prática ficou um pouco desconexo!

Agora o Bran é um ser que “sabe de tudo”. Tanto sabe que na cena em que o Mindinho entrega a adaga de aço valiriano, que praticamente deu início a toda a guerra da família Stark contra os Lanninsters, o Bran fala para o Mindinho que “o Caos é uma escada”. Essa frase foi dita pelo Mindinho para o Varys na Terceira Temporada, deixando claro que realmente o Bran sabe de tudo e com certeza sabe que o Mindinho traiu o Ned Stark, levando ele à morte.

O problema aqui enquanto roteiro, é que o Bran não fala nada! Ele não se importa mais com esse tipo de coisa e ele sabe, mas não compartilha, o que torna as cenas dele sempre a mesma coisa. O mesmo pode ser dito do Mindinho, que foi o grande responsável por toda essa “Guerra dos Tronos”, sempre tendo uma carta na manga e uma estratégia e até agora ele só está falando um monte de coisa no ouvido de todo mundo e ninguém mais leva o que ele fala à sério. Todos, principalmente a Sansa (e o público), estão de saco cheio do Mindinho! É hora do Bran começar a falar o que ele sabe, para que as coisas comecem a andar. Não é possível que o Mindinho não tenha uma segunda estratégia. Ele sempre está à um passo a frente e ele não é idiota de não ter percebido que ele não está conseguindo nada jogando um papo para os Starks. É hora dele mostrar as garras, pois o Bran deu a adaga para Arya e como ele é o ser que sabe de tudo, ele sabe qual a função dela!

Em Pedra do Dragão, depois de um diálogo íntimo entre Daenerys e Missandei, Jon consegue mostrar uma prova da existência dos White Walkers. Dentro da caverna, com os vidros de dragão, as paredes estavam cheias de pinturas feitas pelos Filhos da Floresta, entre elas, os caminhantes brancos. Vale notar que vários símbolos ali esculpidos, são formatos de corpos que os White Walkers já deixaram onde eles passaram. Daenerys então diz que vai se aliar na luta contra o Rei da Noite, se o Rei do Norte se ajoelhar. Voltamos para a estaca zero, com algum pingo de esperança! Irônico que a cena na caverna, enquadramento e até o papo da Missandei com a Daenerys, fazem uma rima irônica de quando o Jon e a Ygritte estiveram em uma caverna, temporadas atrás e se não ficou claro nesse episódio, não há mais dúvidas de que o “ship” é real!

Saindo da caverna, Tyrion avisa Daenerys que eles haviam tomado Rochedo Casterly, mas haviam perdido as campinas. Daenerys fica furiosa por perder mais um território de seus aliados e desconta em Tyrion, insinuando que suas estratégias estavam desviando em uma tentativa de proteger a sua família! Daenerys estava pronta a seguir o conselho de Olenna e ir voando até King’s Landing, mas aí ela pergunta a Jon Snow o que ela deveria fazer e ele diz que se ela fizesse esse ataque, ela não seria diferente de qualquer outro tentando dominar o poder!

Quando Theon Greyjoy voltou para Pedra do Dragão, finalmente reencontra Jon Snow e vamos ser sinceros que a reação do Jon foi decepcionante. Mesmo que o Theon tenha ajudado a salvar a Sansa, ele traiu o Robb, tomando Winterfell, sendo um dos primeiros responsáveis ao que viria a ser a queda do Robb, posteriormente no Casamento Vermelho. Alguns socos o Theon merecia! Mas a tensão não durou muito, pois Theon estava atrás de Daenerys, para que ela desse alguns navio para que ele resgatasse a sua irmã, Yara. Porém a Mãe dos Dragões não estava mais lá e juntando os conselhos de Olenna e Jon, Daenerys foi o dragão no local preciso. Com Dothrakis cavalgando em campo aberto e um dragão apenas atendendo a um único som: “Dracarys”!

A sequência rendeu cenas belíssimas, que desde a Batalha dos Bastardos não chamavam tanta atenção. Foi um espetáculo visual, com grandes momentos de tensão, principalmente quando Bronn usa o “Escorpião”, a besta gigante que a Cersei havia testado episódios anteriores que seria capaz de matar dragões. Vários corpos carbonizados não expressaram reação nenhuma do espectador, mas quando aquela flecha voou na direção do Drogon, todos seguraram a respiração! Foi inesperado eles já mostrarem a besta em ação, até porque acreditávamos que quando ela aparecesse, seria para nos despedirmos de pelo menos um dragão. Não contem vitória antes da hora, pois é bem provável que isso ainda irá acontecer!

De longe, Tyrion demonstrou certo desconforto ao ver soldados Lannisters morrendo queimados e uma epifania de encarar a realidade que ele está lutando do lado oposto. Mesmo sofrendo nas mãos do pai e da irmã, Tyrion sempre teve um laço muito forte com Jaime e isso se mostrou quando o Regicida foi, em um ato de desespero, em direção da Daenerys e do Drogon e só não acabou queimado, porque o Bronn foi mais rápido e salvou o seu “amigo”!

Essa sequência da batalha e principalmente esse ato final, revelaram algo meio preocupante. Game of Thrones está ficando previsível. Seria realmente chocante se o Jaime morresse nessa batalha. Tantas pessoas especulam que no final ele é o Valonqar, o irmão mais novo que irá matar a Cersei (vale lembrar que essa parte da profecia só aparece nos livros. Na série a profecia já se concretizou), mas da mesma forma como achávamos que Ned Stark era o protagonista da história e logo de cara perdeu a cabeça; como o Robb tomar Winterfell de volta, mas só depois do Casamento Vermelho; ou o Oberyn que iria vingar a morte da sua irmã ao derrotar o Montanha; sempre acabávemos chocados pelo personagem acabar morto, sendo que ele ainda deveria completar outros objetivos. E mesmo se não fosse pra matar o Jaime, qual o propósito de manter o Broon vivo a essa altura da história? Ele poderia ter morrido facilmente ali e teria sido um final muito digno para o personagem!

Faltam apenas três episódios (sim, você leu corretamente) para o fim da sétima temporada. Depois de todo esse calor, é hora de voltarmos ao Norte, para além da Muralha, para saber, afinal, qual é a do Rei da Noite?

 

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