Game of Thrones: Beyond the Wall – Review – “Beyond the Wall”

By | 21st August 2017

Atenção: o texto abaixo contém spoilers da sétima temporada de Game of Thrones. Só leia se estiver em dia com a série.


O peso de duas temporadas finais com menos de 10 episódios está cada vez maior para Game of Thrones. “Beyond the Wall”, sexto e penúltimo capítulo do sétimo ano da série da HBO, mostra como um roteiro apressado e incoerente pode eliminar algumas das melhores características de uma história até então bem elaborada. O gosto amargo que este capítulo deixou em mim foi, no mínimo, inesperado.

O improvável Esquadrão Suicida além da Muralha.
O improvável Esquadrão Suicida além da Muralha.

Continuamos acompanhando a missão liderada por Jon Snow além da Muralha, a fim de capturar um morto-vivo para usá-lo como prova da ameaça para Cersei Lannister. Antes da inevitável ação, o episódio é recheado por diálogos inteligentes entre todos os personagens. A conversa entre Tormund e Sandor Clegane sobre Brienne de Tarth é hilária, enquanto Jon questiona seu destino com Beric Dondarrion. Na Pedra do Dragão, há outra discussão muito bem elaborada — e com uma mistura interessante de sentimentos — entre Daenerys Targaryen e Tyrion Lannister — que se intensifica maravilhosamente quando ele implora para Dany não sair para resgatar seu esquadrão de aliados.

Mas como se a jornada de Jon Snow não fosse uma decisão estúpida o bastante, o que acontece nela é ainda mais estranho. O encontro do grupo com o exército do Rei da Noite era óbvio, mas a demora da criatura para atacá-los é incompreensível — a espera pela solidificação da camada do gelo não é tão convincente, vamos combinar que haveria alternativas. A não ser que o líder dos Caminhantes Brancos soubesse, de alguma forma, que Daenerys estava a caminho com seus dragões, não há sentido na demora para o ataque, ou tampouco no imenso fôlego de atleta de Gendry, ou na resistência admirável de Jon e do grupo diante do frio e da falta de recursos.

Hora de resgatar a trupe de heróis condenados — e surpreendentemente ainda não congelados.

Antes do grande confronto, fomos para Winterfell acompanhar o que começa como uma conversa instigante, mas que acaba se desenrolando em uma porção de momentos confusos entre as irmãs Arya e Sansa Stark. O comportamento da mais nova distorce o caráter da personagem de uma forma que chega a ultrapassar o limite — veja bem, a Arya não estava desse jeito há três episódios, antes de retornar para casa; e tudo bem ela querer testar Sansa, mas precisava fazer todo esse show? Não, não precisava.

Agora sim, podemos falar sobre uma das sequências mais impactantes desta temporada. Algumas observações: que belo senso de direção tem Daenerys e seus dragões, que nunca haviam visitado o Norte anteriormente, não é mesmo? E que habilidade incrível do grupo de meia dúzia de soldados humanos contra centenas de inimigos mortos. Pelo menos, a chegada da Rainha dos Dragões com seus três mascotes voadores na batalha é algo espetacular de acompanhar, assim como o desespero de todos pela sobrevivência.

Somos então surpreendidos pela dolorosa cena em que o dragão Viserion é atingido mortalmente por uma lâmina de gelo lançada pelo Rei da Noite (que força, hein, rapaz?). O momento da queda do dragão é cruel e sangrenta, certamente uma das mortes mais tristes e importantes da história de Game of Thrones. Por isso, tudo o que acontece após o resgate pode ser tão revoltante para alguns fãs, da mesma forma que foi para mim.

Brigas entre as irmãs Stark são esperadas, mas Arya-louca nem tanto.

Daenerys acabou de presenciar a morte de Viserion, mas tudo o que ela é capaz de fazer em seguida é chorar de preocupação por Jon Snow. Sério? Uma cena de puro fan service que não condiz em nada com a incrível Rainha construída até o momento — até então, o clima entre os dois estava totalmente tolerável e sutil. Mostrar a fragilidade de Dany em momentos como este não é o problema, mas sim o salto de intimidade e carinho entre duas pessoas que ainda não se consideram assim tão próximas. Menina, você acabou de perder o filho (de uma forma terrível) e derrete igual a uma manteiga após ouvir o mocinho chamando você de Dany? Justamente você, Daenerys Targaryen? Me poupe.

O Veredicto

Uma boa execução de cenas e diálogos inteligentes não conseguem salvar um roteiro incoerente e com decisões ruins. Ver que tudo o que aconteceu até agora em Game of Thrones foi orquestrado a favor dos acontecimentos apressados de “Beyond the Wall” é algo decepcionante, de maneira que aumenta a preocupação sobre o pouco de futuro que ainda resta para a série. Bacana, agora temos um dragão morto-vivo, mas ao custo de uma direção que coloca ação e reviravoltas acima da razão — algo que raramente acontecia em Game of Thrones até então.

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