Estamos realmente na melhor época para ser Nerd?

By | 11th September 2017

Recentemente, tivemos a estreia de Death Note pela Netflix, adaptando o mangá homônimo escrito por Tsugumi Ohba e desenhado por Takeshi Obata. O filme, que provocou uma reação bastante negativa entre boa parte dos espectadores, vide as avaliações públicas em sites como o IMDB e o Rotten Tomatoes e nas redes sociais, teve como consenso o fato de que se afastou demais da essência da obra original como os fãs a reconhecem.

Existem, é claro, aqueles que gostaram e defendem com unhas e dentes – ou teclas e cliques – a adaptação proposta pela Netflix. E quem sabe? Talvez Death Note seja realmente um bom material que foi majoritariamente mal julgado por fãs cegos pelo amor à fidelidade exacerbada e literal ao material original. Ainda assim, é o melhor que a Netflix poderia oferecer?

“Essa é a melhor época para ser nerd” é uma afirmação corriqueira nas redes sociais e não está completamente incorreta. Entre séries, filmes, animações, jogos, livros, quadrinhos e outros, muitas vezes mesclados em mais de mídia e amplamente divulgados para fácil acesso do público consumidor, o “movimento nerd” já domina uma fatia expressiva do imaginário coletivo popular. Contudo, nem tudo o que reluz…

Game of Thrones pode ter alcançado um grande sucesso nos últimos tempos – seus índices de audiência e domínio nas redes sociais não me deixam mentir – mas sua mais recente temporada realmente fez jus aos elementos que garantiram tamanho status ao programa? Talvez as produções Marvel/Netflix continuem agradáveis de assistir, mas onde está o burburinho popular que vai diminuindo cada vez mais desde a primeira temporada quase impecável de Demolidor?

Sarah J. Mass alcançou um sucesso tão grande com Trono de Vidro que sua obra já é uma franquia regida por um imenso calendário que prevê um livro por ano, mas é possível fazê-lo sem abrir mão da qualidade? Precisamos mesmo de um Velozes e Furiosos no espaço (ou de qualquer outro)? E o Renascimento da DC com grande parte de seus títulos sendo quinzenais: o prazo pode ser mais agradável para os leitores, mas gera uma rotina editorial saudável ou o atraso recente de algumas edições revela o contrário?

A questão é: Essas produções têm vindo tão frequentemente e em quantidade tão grande que não temos tido tempo para absorver e analisar seu conteúdo. As obras passam tão rapidamente na torrente – e muitas vezes pelo torrent – de materiais a serem consumidos que deixam pouco ou nenhum impacto real e duradouro no público. E, produzidas à toque de caixa, acabam perdendo parte da qualidade que poderiam e deveriam ter.

Grande exemplo disso é a série dos Inumanos, produzida em parceria Marvel/ABC/IMAX. Originalmente concebida como um filme, uma vez que se trata de um grupo extremamente incomum nos visuais e poderes, foi removida do calendário cinematográfico e retratada como uma série de oito episódios. A diferença de qualidade, especialmente nos visuais, é gritante. Talvez a série consiga ser boa, mas passa longe do melhor que os estúdios podem apresentar.

E os fãs deveriam cobrar. É ótimo defender os seus personagens favoritos em qualquer mídia, mas nem sempre. Uma representação de qualidade deve ser sempre o primeiro fator a ser buscado. E é lógico que ninguém é impedido de gostar de coisas ruins – pois, convenhamos, existem muitas coisas definitivamente ruins – é até saudável. Mas defender, enquanto existe um óbvio potencial de evolução, é implorar pela massificação de um conteúdo extremamente pasteurizado e sem valor e contribuir com a manutenção de obras conduzidas unicamente pelo dinheiro que a época proporciona. Talvez seja a melhor época, mas estamos contribuindo muito pouco para isso.

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