Comparada a ‘Game of Thrones’, novela da Record TV em nada se parece com série da HBO – Cultura

By | 30th July 2017

Tão logo o teaser de Belaventura pululou nas redes sociais, as comparações com Game of Thrones vieram à pauta. Idade Média, casas e disputa por trono foram alguns dos elementos que alimentaram a discussão. Gustavo Reiz, autor da nova novela da Record TV, embora admita sua paixão pela série da HBO, refuta a tese de que sua história seja uma versão livremente inspirada no hit mundial.

“Ela é muito mais voltada para o romance e para o conto de fadas que para o realismo de Game of Thrones”, disse ao Estado. “Entendo essa comparação porque todas as séries e filmes que falam sobre Idade Média bebem da mesma fonte. São as pesquisas, relatos dos viajantes, cantigas. É assim que a gente sabe sobre a Idade Média, porque são poucos os documentos históricos sobre este período, mas é muito rico em nosso imaginário. Todo mundo conhece as histórias do rei Arthur, até as mais posteriores que são remetidas a essa época, como Os Três Mosqueteiros e Dom Quixote.”

E de fato Belaventura segue por um caminho diferente. Sem dragões domesticados e mortos-vivos ameaçando os personagens, a novela segue na linha do gênero capa e espada, popular em nossa TV nos anos 1960, mas com um enfoque nas relações entre os personagens, como a história de amor proibido entre o príncipe Enrico (Bernardo Velasco), herdeiro do trono da cidade fictícia que dá nome à trama, e a plebeia Pietra (Rayanne Morais).

“Belaventura é totalmente baseada nas novelas de cavalaria. Eu quis criar um lugar que as pessoas identifiquem e criem uma conexão quando ouvem falar sobre a Idade Média e sobre as histórias dos reis, das princesas. Tem tanto personagens inspirados na literatura, quanto fatos históricos”, explicou Reiz.

No segundo capítulo da trama, por exemplo, há uma referência direta à história de Inês de Castro, mulher de D. Pedro I de Portugal, que foi executada por ordem de seu sogro. Na novela, a rainha Vitoriana (Juliana Knust) é morta por envenenamento e seu marido, Otoniel (Kadu Moliterno), por vingança aos suspeitos pelo assassinato, coloca o corpo de sua mulher morta sentado no trono e obriga todos a beijarem sua mão, tal qual ocorreu com Inês.

“Sou formado em História e o que me levou para a formação acadêmica foi justamente o interesse no período medieval. Sempre quis fazer uma história sobre as aventuras dos cavaleiros, do amor cortês, da peste negra, da caça às bruxas. E tendo como referência todos esses personagens, histórias da literatura, eu quis fazer um grande romance de capa e espada”, comentou o autor.

Em 150 capítulos, Reiz colocará em debate alguns temas contemporâneos, como a questão dos refugiados. “Como nesse período eram fortes as perseguições religiosa e ideológica, em que o medo era um instrumento de poder, a gente fala de famílias refugiadas. Na história, pessoas de outros reinos buscam em Belaventura um lugar para se restabelecer, porque as guerras acabaram com muitas regiões de seu entorno”, disse ele, que optou por não incluir em sua história referências ao atual cenário político nacional. “A gente vive tão desiludido com a nossa política, e é uma surpresa desagradável atrás da outra. Queria que em Belaventura a gente tivesse um reino mais tranquilo para viver”, explicou

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