Análise | Game of Thrones: Episódio 7×06

By | 22nd August 2017

Não há como começar qualquer texto sobre este episódio sem falar no vazamento do mesmo antes da hora. A trapalhada da HBO espanhola fez com que milhares de pessoas assistissem Beyond the Wall antes do tempo estabelecido pela emissora, o que gerou a velha onda de spoilers e atrapalhou um pouco a experiência surreal que foi assistir a esse capítulo sem saber de nada, assim como Jon Snow. Mesmo com o vazamento, o episódio entra para o ranking dos melhores até aqui, cheio de surpresas e momentos de tirar o fôlego.

Era claro para todos nós que a ideia de ir buscar um morto-vivo não poderia ser boa. Lançar-se pra lá da Muralha, com poucos homens, em uma missão suicida para convencer alguém como Cersei, só podia ser para nos fazer sofrer. Entretanto, o que esperávamos não aconteceu, mas sim o inesperado e precoce fim de um dos filhos de Daenerys. Além disso, a briga sem sentido das Stark, que ao invés de se unirem como matilha, estão em lados opostos.

Vamos começar?

Prá lá da Muralha

E lá vão eles. Sete homens com histórias distintas, mas que de algum modo se cruzaram em um objetivo comum: a luta contra a morte, o único inimigo. Jon Snow (Kit Harington), o Rei do Norte – que realmente tem em seu coração a vontade de derrotar o Rei da Noite -, leva consigo a espada de aço valiriano Garralonga, antes pertencente à casa Mormont, mas que agora ostenta um lobo gigante. Como é esperado de Jon, ele sugere devolver a espada para os Mormont através de Jorah (Iain Glen). O Velho Urso porém, concedeu a espada à Jon, acreditando que Snow deva ficar com ela e passar para seus descendentes (e a citação sobre descendentes foi grande nesse episódio, como veremos mais à frente).

Um grupo tão plural reúne Sandor Clegane (Rory McCann) e Tormund (Kristofer Hivju), com uma grande – literalmente – ligação entre eles: Brienne de Tarth (Gwendoline Christie), gerando cenas que deram um certo alívio cômico para o que estava por vir. Outra ligação entre os 7 estava presente na lembrança da época em que a Irmandade Sem Bandeiras, representada por Beric Dondarrion (Richard Dormer) e Thoros de Myr (Paul Kaye), vendeu Gendry (Joe Dempsie) para Melisandre (Carice van Houten). Ainda houve tempo para o ruivo lembrar a Jon, que Mance Rayder não dobrar o joelho fez com que centenas de selvagens morressem.

Muito satisfatório enxergar as histórias se entrelaçando e com muito sentido, tudo o que foi construído até aqui vai nos levar ao fim. As interações da primeira parte do episódio foram interrompidas pelo surgimento de um urso zumbi em meio a neve caindo e sem muita visibilidade, provocando o primeiro grande susto. Passamos então a temer pela vida dos personagens que estão conosco há tanto tempo, mas felizmente são os figurantes que padecem. Vemos pela primeira vez como Beric e Thoros utilizam o fogo em suas espadas. O urso foi derrotado, mas não sem antes deixar um ferido conhecido por nós.

Durante o primeiro encontro com os Caminhantes Brancos e seu exército zumbi, mostrou-se o tamanho da desvantagem do grupo, e dos vivos no geral. Antes da luta realmente começar, Jon enxerga – só agora – que não há como cumprir essa missão, decidindo mandar Gendry, sem seu martelo, para enviar um corvo à Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) em busca de ajuda.

Pedra do Dragão

Daenerys mostra-se muito preocupada com Jon (o ship é real!). Tyrion Lannister (Peter Dinklage) tem mais uma oportunidade de fazer com que sua rainha escute seus conselhos e em uma conversa franca entre os dois, vemos que a Mãe dos Dragões teme por seu herói, que faz coisas tão estúpidas como ir até o covil dos Outros. Aqui temos a certeza de que ela está mexida e vem tentado negar sua atração por Jon, o comparando com os homens que já se apaixonaram por ela, como Khal Drogo (Jason Momoa), Daario Naharis (Michiel Huisman) e Sor Jorah. Ela inclusive comenta que Jon é um pouco menor do que ela está acostumada (ai ai).

Ainda assim, quando o corvo de Atalaia do Leste chega, ela mesma age sem prudência e vai resgatar seu herói, para o desespero do anão. Mais uma vez, é citado que um herdeiro é essencial para o futuro de Westeros. Achei muito fofo Tyrion dizendo que a pessoa mais importante não pode ir na missão mais perigosa. Se alguém ainda duvidava de sua lealdade, o desespero em sua face nos faz acreditar que sua preocupação é real. Linda e vestida para o inverno (alguém me passa o contato da estilista da Dany, ela estava maravilhosa no look), ela pega seus filhos e vai ao resgate de Snow.

Winterfell

Ao que parece, Petyr Baelish (Aidan Gillen) conseguiu mesmo plantar o caos entre as irmãs Stark. Arya (Maisie Williams) confronta Sansa (Sophie Turner) sobre a carta encontrada por ela no episódio anterior. Mesmo com a irmã se explicando, a caçula não fica muito convencida. Nos dá muita dor no coração quando elas citam a morte do pai, lembrada de ângulos diferentes, quando o patriarca foi morto pela maldade de Joffrey (Jack Gleeson) e nenhuma pôde fazer nada para impedir.

(Divulgação / HBO)

Arya ameaça a irmã, que descobre suas faces sem muito entender como tudo funciona. Arya sente raiva e Sansa medo, sentimentos que podem levá-las a cometer erros irreparáveis. O que não ficou muito claro para mim, foi o porque de Sansa continuar a dar ouvidos a Mindinho, afastando Brienne de Winterfell na primeira oportunidade. Será que a mulher de Tarth vai, finalmente, se reencontrar com Jaime Lannister (Nikolaj Coster Waldau) em Porto Real?

Pra lá da Muralha

Enquanto isso, o grupo cercado pelos zumbis tenta sobreviver ao frio e ao medo de um ataque iminente, torcendo para que Gendry tenha conseguido enviar o corvo e que Daenerys tenha atendido ao pedido. A tensão aumenta a cada segundo de frio congelante e Thoros, prejudicado pela mordida do urso, não resiste e somos obrigados a nos despedir dele. Beric, então, passa a ter apenas uma vida restante, obrigando-no a fazer com ela valha a pena. Ele também acredita, que o Senhor da Luz deve ter um plano maior para ele e Jon, afinal os trouxe de volta para algo maior.

Quando o Cão, entediado, resolve provocar os mortos, eles percebem que dá para atacar sem quebrar o gelo e o que acontece é desesperador. Uma legião de zumbis parte para cima dos sete, fazendo com que nos preocupemos com cada um deles. Que agonia! Tal sentimento só desaparece quando a salvação chega do alto, com Daenerys e seus filhos chegando e ateando fogo em tudo. É muito poder!

No momento em que ela está pronta para salvá-los, Jon resolve dar uma de herói e fazer mais burrices, o que nos leva a fatídica cena desse episódio. O Rei da Noite, com sua pontaria certeira (já pode levar o ouro olímpico no lançamento de dardos), acerta um dos dragões para nosso total desespero. O grito de Viserion indo ao chão, com seu sangue jorrando, é chocante demais para sua mãe, que não consegue esboçar uma reação, talvez chocada demais para tal. Perdendo um filho e com os outros ameaçados, é hora de partir. Jon, é claro, não sobe a tempo no dragão e afunda no lago congelado. Ainda há tempo para mais emoção, com Jorah quase caindo de Drogon. É um teste para cardíaco!

Jon Snow só pode mesmo ter sangue Targaryen para resistir àquela temperatura no lago congelado. Mesmo com Garralonga para ajudá-lo quando o exército de mortos o encontra, mais uma vez achamos que é o fim, mas UNCLE BENJEN (o berro que eu dei!) chega para seu sacrifício final. Graças ao deuses antigos e novos, Jon está salvo.

Se ainda restava alguma dúvida de que Daenerys está caidinha por Jon, sua preocupação com ele (eita que pareceu maior do que perder Viserion) é notável. Para sua felicidade – e a nossa – Jon aparece no último minuto e os dois têm um momento pra lá de especial no barco, quando ficamos sabendo pela primeira vez, que ela não gosta muito do apelido Dany (desculpa aê) e relembra a última pessoa que a chamou assim (seu irmão e família – Jon, sobrinho). Finalmente, O Rei do Norte dobra seu joelho, mesmo sem ser literalmente, e os dois se unem contra a real ameaça.

Ainda havia mais emoção reservada para o último segundo do episódio. O poder do Rei da Noite nos é mostrado mais uma vez, além deu ótimo dom para estratégia. Ele não matou o dragão à toa, pois tinha um plano na manga muito melhor do que os dos humanos. Através de um simples toque, vemos Viserion torna-se a arma mais poderosa dos Caminhantes Brancos até agora: um dragão, que provavelmente cuspirá gelo. A verdadeira guerra está para começar!

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